quinta-feira, 12 de junho de 2008

Balearam o Corinthians



Após o gol de Enílton na partida de ida, muitas pessoas que compõem uma das maiores torcidas do país (a "Anti-Corinthians") me diziam: "Agora vocês estão perdidos! Esse gol mudou tudo". Eu me recusei a acreditar, realmente achava que o título da Copa do Brasil seria Alvi-negro. Afinal, quer enredo melhor para um filme do que um time que viveu o inferno no final do ano passado e, seis meses depois, conquista uma vaga na elite sulamericana?


Em campo, o Sport foi mais time. E é só dentro de campo que as coisas devem ser analisadas. O ''se'' não joga, a polêmica sobre os 10% de ingressos para os visitantes também não. Em cinco minutos, dois gols desmontaram as pretensões do Timão no jogo. É muito fácil falar que a bola passou por baixo das pernas do Felipe no segundo gol. Não o crucifico. É um goleiro que vive uma fase bem diferente que vivia no ano passado, quando era o único do elenco que se salvava. Àquela época, ele era de fato o melhor do Brasil. Hoje, a soberba não o deixa figurar nem entre os cinco melhores da posição. Mas, voltando ao jogo, a bola foi em cima dele, foi no reflexo. E não foi esse lance que tirou o título do Corinthians.


Errar uma vez é perigoso, mas ainda permite a conquista de um título. Dois, três erros... já fica difícil. Mas a partir do momento em que uma equipe erra durante todos os 90 minutos, torna-se evidente que não era para ela ter vencido mesmo. Chicão, que foi um monstro durante a campanha toda e que considero um dos melhores zagueiros em atividade no futebol brasileiro hoje, deu um passe errado em uma saída de bola que acabou gerando o primeiro gol, marcado por Carlinhos Bala. Um erro, mas o título, com o então placar, ainda era corinthiano. Mas a desatenção no lance que resultou no gol de Luciano Henrique foi fatal.


A partir de então, não havia mais motivos para ficar atrás. Nem para errar... Mas Wellington Saci fez a besteira de agredir Carlinhos Bala fora de campo e foi expulso imediatamente após ter entrado para substituir Dentinho, que não jogou bem. Acosta ainda teve uma chance na cara do gol, mas não conseguiu concluir. Muita gente vai falar que foi pênalti do goleiro Magrão no uruguaio, mas essa era a hora de estufar a rede sem pensar duas vezes. Seria o gol do título, mas o lance não deu certo... ou melhor, deu errado!


Não adianta culpar fatores extra-campo, a arbitragem ou até mesmo a má sorte. Não foi o dia do Corinthians. Mano Menezes não errou na formação inicial, mas errou na postura do time. Foi uma noite que Carlos Alberto não ganhou uma corrida, que Chicão errou saída de bola, que André Santos não acertou um único lançamento, que Dentinho não pegou na bola e que Herrera não conseguiu incomodar os defensores adversários. Resumindo, não foi a noite do Corinthians. E essa também não era para ser a Copa do Brasil do Corinthians.


Parabéns, Sport! Merecidamente, o time foi o campeão da Copa do Brasil dentro de campo. Nelsinho Baptista e o volante Daniel Paulista têm motivos para comemorar. Viveram, em épocas diferentes, um clima infernal no Corinthians. Mas provaram que, diferentemente do que foi falado pela imprensa paulista na época, merecem ser valorizados.


E, não vou desmerecer o Corinthians. Muito pelo contrário, vou parabenizar também, pois se reergueu em pouco tempo. Não voltou ontem à elite continental que é a Copa Libertadores, mas ano que vem, certamente, estará de volta à Série A. Como disse anteriormente, esse ano a Série A não conta com o Timão... azar dela. Podem ter certeza que será uma mancha também na história do Campeonato Brasileiro. O Corinthians não é o time da segundona, é um dos símbolos da elite que está emprestado à Série B (que nunca foi e nunca mais será tão badalada quanto esse ano), mas que pertence e sempre pertencerá ao primeiro escalão do futebol nacional. Aos corneteiros corinthianos, tudo que peço é calma, porque a equipe ainda está sendo montada.


Ontem, após o apito final, não me veio nada. Em todos os sentidos. Não chorei, não fiz nada. Fiquei completamente sem reação, furioso por dentro, mas sem conseguir desabafar.


A nação "Anti-Corinthians" - que tem suas maiores glórias em dias de derrota do Timão, e não nas vitórias de seus respectivos clubes - comemorou muito. Gente que eu nem lembrava que existia veio tirar um sarro. Faz parte da mediocridade do espetáculo - justamente aqueles que não tem nada a ver com isso.


O que ninguém sabe é que ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro...

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